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domingo, 22 de dezembro de 2013

DESPEDIDA DO MAIS UM BLOG DE GAMES DE 2013

Hoje é dia 22 de dezembro de 2013, e pra mim o ano já acabou. Como de praxe, gostaria de fazer um post de despedida do ano de 2013, um misto de retrospectiva com balanço geral dos acontecimentos no mundo dos games e observações esparsas que eu achar relevantes.
E uma coisa que eu gosto em retrospectivas é que elas são uma ótima oportunidade de te fazer perceber como você foi bobo em planejar acontecimentos que não saíram exatamente como você queria. Bem, faz parte da vida. E, como embromar faz parte do Mais Um Blog de Games, eu precisava desta breve introdução para não partir direto ao assunto do post: os games que joguei (não necessariamente lançados neste ano) no ano que se encerra. Aviso, de antemão, que a quantidade de jogos deste ano é bem menor que a do ano de 2012. Talvez seja um reflexo do momento (gamer) pelo qual estou passando. Talvez seja apenas preguiça de escrever um texto quilométrico pro blog (ah, tá... Acho que nem eu mesmo acreditei nessa.). Talvez seja falta de recursos para comprar novos (e caros) jogos para servirem de base para reviews e textos diversos. Só o Shadow sabe a resposta...

Nota: segue um vídeo abaixo de cada texto, pra quem não conhece o game e tem curiosidade em conhecer.


RETROSPECTIVA 2013 DO MAIS UM BLOG DE GAMES (A ORDEM É A MINHA SATISFAÇÃO PESSOAL COM O JOGO)


ALPHA PROTOCOL

Se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come...













Esse é um RPG tático de espionagem, produzido pela SEGA e criado pela Obisidian Entertainment. No game jogamos com um espião do governo americano (acredito eu) que conta com um bocado de opções de diálogo para acabar com a raça de seus inimigos. Tá certo, a coisa não é bem assim, mas o caso é que eu joguei tão pouco desse game que não sobrou muita coisa pra comentar além disso: gráficos medianos; jogabilidade esquisitona; linearidade nas opções de stealth e uma pilha de outros jogos esperando pra serem jogados, detalhe esse que resultou em uma (não tão) fina camada de poeira sobre a caixa de Alpha Protocol.
Comprei esse jogo por um valor quase irrisório (para os padrões dos consoles, só pra deixar claro aos usuários de maravilhas como Steam, Gog e afins) devido a uma recomendação de um leitor do blog. Ainda não sei o que pensar sobre Alpha Protocol, muito menos se darei uma segunda chance a esse título. Mas pelo menos ele tem o seu lugar ao sol na minha retrospectiva de games jogados em 2013.




GUITTAR HERO 3

Minha guitarra é dessa. Pena que eu não uso
















É incrível as coisas que um consumidor é capaz de fazer para satisfazer seus desejos desenfreados por quinquilharias.
Guittar Hero foi uma série que estreou no PS2 e, já nos primeiros dois anos de sua existência, computou a invejável marca de mais de cinco jogos. Usei o verbo ser no passado pois a franquia teve seu fim durante o desenvolvimento do sétimo episódio, após a visita de um dos produtores do jogo ao estúdio de desenvolvimento. A ideia: utilizar uma guitarra de verdade para poder jogar o jogo. E o produto final estava ficando tão ruim, com uma seleção de músicas tão sem graça, que o presidente da Activision Eric Hirshberg não pensou duas vezes em colocar uma pedra em cima da produção do game. O alto custo do periférico também foi fator decisivo para a extinção desse título.

Voltando ao tema, é incrível as coisas que um consumidor é capaz de fazer para satisfazer sua sede nerd de adquirir quinquilharias relacionadas a games. Uma certa pessoa, certa vez, chegou a pagar (acreditem) R$600,00 por um periférico de guitarra para poder desfrutar do prazer musical de se jogar Guittar Hero. Infelizmente, esse é um pré-requisito obrigatório para jogar quaisquer títulos posteriores ao terceiro episódio, visto que a partir da quarta edição o game já não dá mais suporte ao controle original do console (PS3 ou Xbox 360).

Bem, a boa notícia é que essa “corajosa” pessoa se trata de um amigo meu (que, sinceramente, espero que não esteja lendo isto) que ficou muito pê da vida quando lhe contei que comprei o game junto com a guitarra por aproximadamente 1/3 deste valor.
Mas o fato é que a resposta dos comandos inseridos não foi satisfatória o bastante pra manter meu interesse. Pra piorar, inventei de começar jogando no nível hard, que exige o uso de todas as “cordas”, detalhe que dificultou ainda mais minha experiência com o game. R.I.P, Guittar Hero.



CHRONICLES OF RIDDICK: ASSAULT ON DARK ATHENA

Medo de injeção é o cacete!













Sempre tive muita curiosidade a respeito deste jogo. Em parte por causa dos elementos de stealth presentes, em parte por causa da recomendação do camarada Aquino em seu blog Retina Desgastada. O problema é que, com tantos games de FPS com senha na mão, esperando na fila pra ser jogado, ficou meio difícil deixar de lado alguns outros jogos que chegaram primeiro. Confesso que minhas impressões não foram as melhores, mas ainda é muito cedo pra julgar este game em particular. Também não sei se darei uma segunda chance a este aqui. Apenas 2014 pode afirmar com mais certeza.



TOMB RAIDER TRILOGY

Corre que dá tempo














Esse game é uma coletânea de três jogos da musa Lara Croft. Todos são da era dos 128 bits, mas o motivo da compra foi Tomb Raider Anniversary, um remake do primeiro jogo da franquia.
Joguei muito pouco dele (falo da versão em HD), pelos já conhecidos motivos: falta de tempo e outros jogos na fila. Mas fica o conselho: Anniversary foi um dos melhores jogos para PS2 que tive o prazer de jogar, com gráficos belíssimos até os dias de hoje e com uma jogabilidade totalmente reformulada e adaptada ao ritmo dos games mais modernos.



GOD OF WAR ASCENSION

Nem experimentei o multiplayer...













Diferentemente dos títulos acima, GOW Ascension é um jogo que eu tenho certeza que voltarei a jogar em um futuro próximo. Primeiro porque sou fã de carteirinha da saga de Kratos. Segundo pela alta qualidade do título em questão: ASCENSION, JUNTO COM HEAVY RAIN, LBP E O PRÓPRIO GOD OF WAR 3, É UM DOS JOGOS MAIS BONITOS DESSA GERAÇÃO QUE SE VAI. E além de tudo ainda tem uma trilha sonora que supera muitos GOW já lançados.
Estranhei uma “leveza” na animação de Kratos e alguns elementos de jogabilidade que soaram meio esquisitos no game, mas com certeza quero jogar e terminar esse game futuramente.



GTA 4

Mais um dia na vidinha monótona de Niko Bellic













Sim, se você não tiver muita coisa pra fazer da vida e tiver uma boa memória, lembrará que esse jogo apareceu na retrospectiva de games que fiz no ano passado. E o motivo de GTA 4 voltar à lista neste ano é que foi apenas neste ano que joguei o jogo pra valer. A conclusão a que chego é que GTA 4 é um jogo muito bom, mesmo tendo a sua escala geral drasticamente reduzida com relação ao seu antecessor, o GTA San Andreas. Niko Belic, assim como toda a sua trupe, é um personagem inesquecível digno dos games da Rockstar. Fica o conselho: mesmo sendo assombrado por uma vontade avassaladora de jogar o título mais recente, dê uma chance a esse jogo que vale muito a pena. Só não tente ganhar de nenhum de seus amigos na sinuca. É impossível...



RED DEAD REDEMPTION

Vendo assim até parece fácil













Um jogo da Rockstar é pouco, dois é bom... Sim, pelo fato de ter sido absorvido pelo imersivo mundo de GTA 4, acabei comprando o Red Dead. Dizem que esse jogo é melhor que GTA em tudo, só que com cavalos no lugar dos carros. Deve ter sido por isso que eu não consegui sintonizar nenhuma rádio de música no game...
Bem, Red Dead Redemption é um grande jogo, sendo um dos dois jogos que estou jogando no momento. Falei dele em um post em particular, então não vou me prolongar muito. A dica é a seguinte: se você nunca jogou um game no estilo de GTA, tenha muita paciência ao jogar RDR, pois no começo é meio confuso mesmo. Mas é aquele tipo de mundo que, quanto mais você se familiariza, mais imersivo e agradável vai ficando. E peço desculpas por lhe iniciar nesse vicio que vai acabar com sua vida social.



FALLOUT NEW VEGAS ULTIMATE EDITION

Simplesmente-amo-esse-jogo!













Falar sobre Fallout é tarefa das mais difíceis pra mim. É como pedir a uma mãe descrever em detalhes o porquê de amar tanto um filho. Não dá. Meu desajeitado review supremo do Fallout 3 pode dar uma pista do quanto eu gosto desses dois games.
New Vegas é um dos melhores games que joguei nesta geração, junto com seu irmão mais velho. A Ultimate Edition compila quatro pacotes de expansão do game, dos quais só joguei dois: o dos cientistas e o do burning man. Sinceramente, espero que os leitores saibam do que eu estou falando, pois não consigo lembrar o nome das expansões. Mas o fato é que New Vegas é um jogo essencial para quem gosta deste estilo. O clima de Western é um dos melhores e várias falhas do Fallout 3 foram corrigidas. Está esperando o quê pra começar a jogar?



SKYRIM LEGENDARY EDITION

Que medo de alho que nada













A compilação de Skyrim é mais modesta: conta apenas com três expansões do game, sendo que se você não for muito fã de afazeres domésticos dificilmente tomará gosto por Hearthfire. A outra é dedicada aos que gostam de virar vampiro na série. E Dragonborn, a mais promissora das três, vem para jogar um balde de água fria na pretensão de quem achava que era o chosen one do game. Entendedores entenderão...



BIOSHOCK INFINITE

Acredite: é tão impressionante quanto parece













Sim, é como muito pesar que confesso que não cheguei a gostar tanto de Bioshock Infinite quanto achei que chegaria a gostar. E é com um imenso prazer que afirmo que isso não quer dizer absolutamente nada.
Bioshock Infinite é um dos melhores shooters lançados nesta geração: gráficos inacreditavelmente lindos, mesmo nos consoles (a cidade de Columbia é uma das coisas mais incríveis que minhas retinas já presenciaram em um jogo de videogame); a melhor trilha sonora do ano, sem sombra de dúvidas; dezenas de horas de exploração; dublagem magnífica de personagens e um excelente enredo. Claro que não acho que o fenômeno de Infinite se compare ao fenômeno do primeiro Bioshock, em parte por causa das limitadas opções de plasmids/vigors e um mais baixo fator replay, mas é um jogo que você se arrependerá sem nem saber caso não venha a jogá-lo. Deu pra entender o que eu quis dizer? Ótimo.



FARCRY 3

Legal é pouco pra esse jogo













É incrível como esse jogo consegue ser bom em tudo que faz: gráficos lindos; jogabilidade precisa e perfeita; boa duração; exploração de dar inveja a muitos games de mundo aberto; ótimo enredo (um dedo na ferida de quem não dava muito pelo game. Entendedores entenderão de novo.); multiplayer empolgante, mesmo pra quem não dá a mínima para multiplayer (como eu). E é isso: aproveite que o preço do game caiu bastante e dê adeus ao seu tempo livre.



DIABLO 3

Demon Huntress













A espera valeu a pena: despite of todo o mimimi de alguns jogadores eu, Shadow Geisel, afirmo que Diablo 3 é tão viciante e bom de jogar quanto seus outros dois títulos. Infelizmente, a Blizzard resolveu me trollar e colocou uma taxa baixíssima de aparição para o item Pedra dos Espíritos, fato esse que vem tirando meu ânimo em jogar com outras classes e platinar o game. Ah, antes que eu me esqueça: a dublagem em português BR desse game é muito boa. Deixe o preconceito de lado e verá que vale a pena.



NI NO KUNI

Se der tempo ainda vou salvar um mundo paralelo da destruição













Review Supremo é um tipo de texto que eu criei para estrear o blog. Ao longo desses dois anos, apenas alguns jogos foram alvo de Reviews Supremos: Street Fighter 4, Fallout 3, e Alien O Oitavo Passageiro (não é game mas dane-se: meu blog, meus textos), se não me foge algum da memória. Outros estavam no forno mas perdi os arquivos devido a um problema no notebook. Felizmente, Ni No Kuni não foi um deles.
Ni No Kuni é um RPG das antigas, aos moldes de Dragon Quest e com um visual tão bonito e estilizado que mais parece um desenho animado. Se fosse para escolher apenas um dos games acima para jogar de todo jeito esse ano, com certeza este seria o escolhido. Os motivos de gostar tanto deste game estão em dois posts no blog, o já citado review e um texto que fiz quando testei a demonstração da PSN, então não vou me prolongar muito.



E a lista de games foi essa, pessoal. Bem mais curta que a do ano passado, ainda que conte com uma quantidade maior de games mais relevantes.



MAIS UM BLOG E UMA SOMBRA

Mas eu não uso chapéu.












Neste ano não tive muitos motivos pra comemorar o aniversário de dois aninhos do blog, e acredito que muitos dos poucos leitores também se sentiram assim com relação à baixa quantidade de postagens (um total de 30, contando com esta, contra as 69 do ano passado). Menos jogos para jogar, menos reviews e menor vontade de escrever. Natural.
Parte desse desânimo foi por causa da nova geração de consoles, que não me agradou nem um pouco. Agradar nem um pouco é algo bem vago de se dizer, pois se eu fosse expressar a minha insatisfação com o rumo que a indústria vem tomando seria dizendo que, no exato momento, não sinto a menor vontade de adquirir um console de nova geração. Tampouco em adquirir um PC para jogos ou coisa que o valha. Mas uma das características mais marcantes neste meio de entretenimento é a imprevisibilidade, e muita coisa pode acontecer daqui pra frente e minha opinião mudar.

O ano foi de algumas vitórias e também de derrotas. Como uma grande vitória pessoal, posso citar a aquisição da minha tão sonhada CNH, cuja falta estava me tirando o sono e me fazendo duvidar da minha capacidade pessoal de superar obstáculos. Dentre as derrotas bem, esse não é um blog da Revista Capricho com a finalidade de esmiuçar a intimidade dos famosos, até porque eu nem sou tão famoso assim. Tá, eu sei que sou bastante conhecido mundo afora, mas não acho que esse seja o assunto de interesse dos leitores do blog rsrsrs. Só preciso ressaltar que passar um final de ano se recuperando de uma desilusão amorosa (e perda de fé nas pessoas) não é um dos melhores jeitos de passar o fim de ano, independente de você levar a sério o espírito natalino ou não.

E é isso, leitores do Mais Um Blog de Games. Como este ainda se trata de um blog destinado a jogos eletrônicos, gostaria de desejar uma melhor sorte a esta nova geração que aí está, dados todos os problemas que a mesma apresentou logo em sua estréia, e desejar sorte também a nós, jogadores, que somos as maiores vítimas dessa história toda.
Um bom final de ano a todos e nos vemos no ano que vem em alguma postagem perdida por aí no blog.


Au Revoir!

domingo, 24 de novembro de 2013

COMBINAÇÃO DEVERAS INTERESSANTE...

Só pra não deixar de citar um ótimo filme













O Mais Um Blog de Games dá uma pausa em seu coma induzido de postagens para falar não de um jogo, mas de um filme a que assisti há uns poucos meses mas que não sai da minha cabeça.


A FINA ARTE DO ARREMESSO DE BALDE DE ÁGUA FRIA

Acredite se quiser: pedi um anime do nível de Death Note e me indicaram este

















Eu considero essa coisa de indicar algo a um amigo ou conhecido um assunto muito sério. Desvios de rota podem acontecer quando tentamos indicar uma obra a uma pessoa que compartilha (mais ou menos) do mesmo gosto que a gente. E, na Shadowlândia, esses desvios podem ser punidos com as mais severas penas de mortes já criadas pela mente doentia do ser humano. Para livrar meus súditos desse terrível destino, gostaria de dar alguns conselhos na hora de indicar um game, banda, filme ou livro que você achou mó legal mas que outras pessoas, talvez, não vejam exatamente dessa mesma forma.

1- Contenha a sua empolgação: não há nada mais chato do que aquela pessoa que fala de um episódio de Cavaleiros do Zodíaco como se fosse o maior achado nerd desde a invenção de Matrix ou Akira. Se você exagera muito na hora de tentar convencer uma pessoa de que uma coisa é boa e vale a pena ser vista, o máximo que você vai conseguir são duas coisas: ficar parecendo um boboca deslumbrado e criar uma expectativa na cabeça de seu (sua) amigo (a) que dificilmente a obra será capaz de suprir.

2- Não seja insistente: ontem eu vinha no ônibus e dois caras conversavam ao meu lado. Um dos sujeitos estava super empolgado com a descoberta de uma banda nova e fazia de tudo para que seu amigo conferisse a novidade. O cara se utilizou de todas as ferramentas disponíveis no utility belt dos chatos de carteirinha insistentes: falou o nome da banda mais de 10 vezes durante a conversa (sério, não estou exagerando); SOLETROU o nome para que o cara pesquisasse no Google; pediu o Facebook do coitado para marcá-lo em um post sobre a banda; pediu que o cara entrasse no Youtube ASSIM que chegasse em casa para não correr o risco de esquecer dessa tarefa de suma importância. Ou seja: o cara praticamente matou quaisquer chances de seu colega desenvolver um interesse natural pela coisa, mesmo sem ter a intenção de fazê-lo.

3- Conheça a pessoa a quem você está indicando algo. Esse conselho pode parecer um tanto óbvio, mas eu sinto a necessidade de citá-lo devido à quantidade de vezes em que isso acontece comigo.
Eu adoro filmes de terror. Eu cresci assistindo a Alien, Tubarão, Terror em Amytiville, Sexta-Feira 13 e quase tudo de que sua memória seja capaz de se recordar. Eu também sou fã de carteirinha de histórias sombrias voltadas a esse gênero, como o Monstro do Pântano escrito pelo célebre Alan Moore. Pra me fisgar em uma obra, basta que um interessante elemento de terror seja acrescentado à trama de forma coesa que o resto é história.
Sendo assim, nada mais natural que amigos e familiares estejam cientes do tipo de coisa que vai me agradar em uma história, seja ela de um jogo, livro ou desenho animado. Infelizmente não é o que acontece, e às vezes o golpe pode vir de onde menos se espera.

25 episódios que podiam ser resumidos em 5...













Há uns dias estava eu, inocentemente assistindo a um dos episódios de uma série de anime de que gosto muito, The Lost Canvas. Dizer que gosto muito desse anime não expressa o quanto eu gosto desse anime. Para ter uma noção mais precisa dê uma olhada no texto que eu escrevi sobre os primeiros 26 episódios baseados no mangá japonês (alerta de redundância soando neste momento...).
Foi então que meu irmão, sangue do meu sangue, vociferou em alto e bom som: “tu tá perdendo tempo vendo um desenho que já viu mais de mil vezes. A gente podia assistir Shingeki no Kyojin (Ataque de Titãs), que é tão interessante quanto Lost Canvas”. Castigado por uma imensa curiosidade, me senti compelido a experimentar esse desenho sobre o qual todos falavam muito bem e que tinha uma boa chance de ser tão bom quanto Lost Canvas e Death Note, os dois melhores animes aos quais tive o prazer de assistir na última década.

Vinte cinco episódios depois e algumas críticas durante as sessões de três episódios diários (comentar sobre algo enquanto assisto é um claro sinal de que não estou gostando do que estou vendo) tiro a minha conclusão: Attack on Titans não chega aos pés dos primeiros cinco episódios de Lost Canvas. É deveras chato em alguns momentos, tem uma péssima direção de eventos e é dramático em exagero. E o pior é que meu irmão ainda se surpreendeu pela classificação de Drama de Ação que o desenho recebeu em um site de análises. Sangue do meu sangue...

4- Ninguém pode agradar a gregos e troianos. Tenha a ciência de que, por melhor que seja uma coisa, algumas pessoas simplesmente não sentirão o mesmo impacto que você. Os motivos são os mais variados: gosto pessoal; identificação com o gênero; falta de bagagem cultural e etc.
Para ser mais exato em meu exemplo eu vou citar um ocorrido entre mim e um amigo meu. Com historinha chata mas breve, claro, como não poderia deixar de ser no blog.

Damien e seu fiel companheiro, Cérberus













Ter cultura e ser inteligente neste país é um mal que pode te render vários efeitos colaterais. Um deles é que, dependendo do seu nível de intelectualidade, a maioria das pessoas não será capaz de entender o que você quer dizer e, provavelmente, não acharão a menor graça em piadas e brincadeiras feitas por você.
Certa vez ao começar a jogar uma nova partida de Fallout 3, decidi que interpretaria um personagem totalmente maléfico. Batizei o meliante de Damien. Esse meu amigo começou a rir quando soube. Questionei-o e ele me explicou que havia assistido ao remake de A Profecia, que conta a história de Damien e seu fardo em ser o filho do capeta. Deu pra entender onde eu quis chegar com esse exemplo?
Se faltasse o conhecimento do personagem do filme ao meu amigo, a referência passaria totalmente despercebida e eu seria considerado um retardado sem senso de humor. Tá bom, exagerei um pouco mas é mais ou menos isso que as pessoas pensam nessas situações quando não te conhecem direito.


RAZÃO DE SER DO POST (POIS EU SEMPRE ACABO FALANDO DEMAIS E ESQUECENDO O REAL MOTIVO DE SER DO POST): COMBINAÇÃO DEVERAS INTERESSANTE!

É ou não é a cara da Bjork?












Eu mantenho uma relação de amor e ódio com a seção de filmes das Lojas Americanas. Amor porque eu adoro comprar DVDs de filme. Ódio por causa das malditas filas da loja que, por diversas vezes, me fizeram desistir de uma possível compra por causa demora.
Essa relação de amor e ódio também aparece na hora de “folhear” as caixas de filmes em busca de velhos conhecidos ou desconhecidos possivelmente ilustres que estejam à espera de um desbravador de “ótimos filmes que ninguém assistiu”.

Sendo fã de filmes de terror, nada mais natural que eu sinta uma atração quase irresistível por filmes trash e lado b. E foi a minha experiência de décadas que me fez classificar (erroneamente) Splice: A Nova Espécie como um filme lado b e trash digno do lendário Cine Trash, programa que passava nas tardes da TV Bandeirantes e que era apresentado pelo eterno José Mojica Marins. Fica a lição de nunca julgar um DVD pelo box...

Uma breve sinopse do filme, sem spoilers é claro: Splice conta a história de um casal de cientistas que trabalha em um grande laboratório de pesquisas de combinação de genes. A técnica existe de verdade, sendo conhecida pela palavra inglesa “splicing”, que significa combinar, unir, juntar. Graças aos céus, é uma técnica que passa bem longe disso aqui:




A equipe do casal de cientistas trabalha em um projeto que tem a finalidade de construir uma criatura que combina o melhor do DNA de vários animais, acrescentado do DNA humano também. Isso é tudo que posso dizer sem estragar o filme, mas não precisa ser muito inteligente pra deduzir que quando o DNA do ser humano é adicionado a uma receita o resultado é o bolo desandar, não é mesmo?


POR QUE EU ACREDITO QUE SPLICE MERECE UM POUCO DA SUA ATENÇÃO

Pra atiçar ainda mais a sua curiosidade com o filme












Sejamos francos: depois de filmes como Alien, O Oitavo Passageiro poucas obras conseguiram acrescentar algo de criativo ao gênero ficção e terror. Se você conhece um exemplo melhor que esse, sinta-se à vontade para exteriorizar a sua indicação, mas peço que leve em consideração os quatro conselhos acima. Até filmes como E.T (péssimo exemplo) e O Enigma do Outro Mundo (ótimo exemplo, inclusive o prequel) acabaram sendo influenciados pelo clássico supremo de 1979, pois tentavam se distanciar da linha estabelecida e copiada à exaustão do terror espacial.

Splice: A Nova Espécie, já ganha um ponto por ter personalidade própria e (for god sake) NÃO TENTAR COPIAR UM FILME QUE FOI LANÇADO HÁ EXATOS 34 ANOS.
O começo do filme consegue prender o espectador e, graças aos deuses, este ótimo ritmo é mantido durante cada um dos 104 minutos de filme. Nenhuma, eu digo, NENHUMA cena de Splice está lá sem ter alguma razão de ser. Todas desempenham um excelente papel na construção e desenvolvimento do roteiro, que é bem conciso e bem executado por sinal.

Outro ponto positivo fica para os personagens principais, que fogem dos clichês impostos pelo gênero (heim, Prometheus?) e conseguem ser interessantes sem serem forçados. Um destaque em especial dou à personagem da doutora Elsa, interpretada pela excelente Sarah Polley. Um exemplo de como uma personagem feminina pode ser intrigante sem ser um clone da Ripley ou sem esfregar um par de melões gigantescos na cara de quem está assistindo.

Eu sempre soube que tinha algo de alienígena nesse DNA














Um destaque também para a cantora islandesa Bjork, que interpreta a personagem Dren. Sua atuação foi responsável por alguns dos principais momentos nos quais eu tive que segurar a respiração para conter a ansiedade de não saber o que aconteceria a seguir. Ok, sou um mentiroso compulsivo mas não posso deixar passar a informação de que quem “interpreta” a personagem Dren (ao meu ver, o personagem principal do filme) é a atriz Delphine Chanéac. Justiça seja feita, mesmo que a comparação seja inevitável.

De acordo com a Wikipedia, Splice é um filme canadense e francês de ficção científica dirigido por Vincenzo Natali. Talvez sua origem possa nos dar uma pista do porquê de tanta qualidade e de seu jeitão lado b de ser. Splice é um peixe fora d’água se comparado aos demais filmes (principalmente os ruins, como o sofrível Guerra Mundial Z) da indústria norte-americana. É justamente por fugir do senso comum que ele brilha de uma forma bastante competente por causa de seu mérito e esforços próprios.

É triste ver que algumas porcarias como Percy Jackson ou Transformers recebam tanta atenção da mídia e público e diamantes brutos como Splice fiquem mofando em um cantinho obscuro da seção de DVD de grandes lojas.
De qualquer forma, mesmo fugindo um pouco do tema do blog, ainda consigo manter a sua razão de ser e principal motivo que me levou a criá-lo: expressar minha opinião pessoal, recomendar obras de entretenimento relevantes e fazer um pouco de justiça nerd àqueles menos contemplados pelos veículos tradicionais da mídia.

E é isso. Espero ter indicado um filme do qual os leitores gostarão de assistir e deixo mais uma dica: é ótimo poder acompanhar um bom filme ou jogo do zero, sem saber muito a seu respeito e ter “aquela” deliciosa surpresa que tanto nos motiva a escrever posts enormes indicando algo que nos agradou. Então, procure comprar o DVD original do filme sem assistir a trailers ou ler mais a seu respeito. Confiem no paladar de filmes do titio Shadow que não vão se arrepender. Até a próxima.


Au Revoir!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

CONSOLE DE BANANAS...













A Sony do Brasil resolveu finalmente revelar a sua estratégia de aumento de vendas do console da empresa concorrente, o Xbox One. Nesta quinta-feira, 17, a Sony do Brasil apresentou uma ferrenha campanha de marketing para alavancar as vendas do novo aparelho de nova geração da Microsoft, das quais podemos citar a sua principal carta na manga: ANUNCIAR O PREÇO DE R$4000,00 PARA O CONSOLE EM SEU LANÇAMENTO NO BRASIL.

Enquanto isso na internet, centenas de sites de notícias queimam exemplares e mais exemplares de seus melhores aparelhos de calcular, a fim de entender como um console que custa U$100,00 a menos pode chegar ao nosso país custando o dobro do seu concorrente, o Xbox One (te amo, Microsoft! PS2).



A melhor arma contra um idiota é sua própria língua...

Au Revoir...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ALÉM DA DEMO













videogame
(vídeo guêim) (ingl video game) sm Diversão eletrônica com base em imagens de fita cassete.

Dicionário Michaelis.

A gentileza de um camarada da PSN me permitiu estar entre um dos privilegiados a testar a demo de Beyond: Two Souls, antes da grande maioria dos mortais que anseiam pelo mais novo lançamento da Quantic Dream, que ganhará as prateleiras agora no início do mês de outubro.
Sobre a Quantic Dream você pode até desconhecer o fato de que, além de desenvolver jogos de videogame, ela é bem famosa pelo trabalho de captura de movimentos para filmes e animações. Mas com certeza você já ouviu falar em dois jogos muito conhecidos dessa empresa: Indigo Profecy (chamado de Farenheit, na Europa) e o mais recente, Heavy Rain, lançado em 2010 com exclusividade para Playstation 3.

Acredite: no PS2 essa expressão facial era incrível


As características desses dois jogos são bastante conhecidas no mundo dos games (e muitas vezes pelos motivos errados): roteiros complexos; clima de suspense; expertise gráfica que supera os limites de hardware do console (havia até comentários de que Heavy Rain seria o primeiro a utilizar mais de 75% da capacidade total do PS3, dados totalmente questionáveis depois de jogos como God of War 3 e o mais novo GTA, da desconhecida Rockstar); presença de QTEs para interação com o meio ambiente e a principal: múltiplos finais e desenrolares da trama.

Limpo a cena do crime ou ponho a culpa no cachorro?


Infelizmente eu estava muito ocupado com outros jogos, na época do PS2, para reservar um tempinho para conhecer Indigo Profecy. O motivo do “infelizmente” se dá pelo meu completo amor por histórias de ficção científica que envolvam robôs e inteligências artificiais determinadas à tão manjada dominação mundial.
Já Heavy Rain eu joguei do início ao fim, podendo provar um pouco do que “umas das mentes mais brilhantes do mundo” tem a oferecer aos jogadores de videogame no quesito enredo. Um breve resumo do jogo e da minha experiência geral com ele.

Um dos momentos "queixo caído" do game. A primeira vez em Marte ninguém esquece...


Heavy Rain conta a história do Origami Killer, um assassino serial que obriga pais a participarem de um tipo de “Jogos Mortais” que decidirá se eles estão dispostos a fazer de tudo por suas amadas crias. A vítima da vez é Ethan Mars, um arquiteto bem sucedido que vive os dramas de uma tragédia familiar ocorrida nos minutos iniciais do jogo.
O fato mais relevante (num primeiro momento) de HR são seus gráficos: o game apresenta modelos de personagens assustadoramente realistas e uma animação que só não consegue ser perfeita por causa do inevitável “olhar de peixe morto zumbificado” que personagens nesse nível de realismo gráfico estão fadados a ter.

Não quero nem saber o que esse QTE faz com a cueca de Ethan...


Pra piorar a situação, os controles do jogo não são lá um exemplo de precisão: mesmo em um jogo em que praticamente só fazemos andar e examinar coisas, por meio de QTEs, tarefas como “andar e examinar coisas” não são nada fáceis, tudo por causa de personagens que mais parecem carros desalinhados que serem humanos. É difícil conter o riso (ou a frustração, dependendo do desafio proposto no momento) quando o corpo do personagem vai pra uma direção e sua cabeça luta, teimosamente, para olhar para o lado completamente oposto. O Exorcista explica...

De fato, o excesso de QTEs (muitas vezes irrelevantes) e os controles ruins são dois dos três principais defeitos que encontrei no game. O terceiro diz respeito à fórmula adotada pela Quantic Dream em seus jogos: HEAVY RAIN, ASSIM COMO SEU ANTECESSOR, USA UM SISTEMA DE NOVELA INTERATIVA PARA DESENVOLVER A TRAMA DOS PERSONAGENS.
O resultado disso é que, depois de terminar HR e desvendar a identidade do assassino do Origami, fica difícil sentir vontade de jogar novamente. E esse é um relato pessoal que faço sobre o fator replay desse jogo: joguei pela primeira vez em 2010, com o disco emprestado de um amigo (se contorçam de raiva, Sony e Microsoft) e, mesmo tendo adquirido o game posteriormente, não me senti compelido a tentar assistir a novela novamente fingindo que desconhecia o segredo principal da trama. Seria como assistir ao filme Sexto Sentido novamente e conseguir se surpreender, genuinamente, com seu final. Não dá. Ao menos eu não consigo.

"Célebrooooooo..."


Para resumir, Heavy Rain é um título que dificilmente ganhará um post de Melhor Jogo que Ninguém Jogou aqui no meu blog, mas aconselho aos proprietários de PS3 que joguem o game ao menos uma vez, nem que seja para ficar por dentro das experiências propostas pela Quantic Dream. Se você pretende adquirir Beyond, ouso dizer que uma análise inicial de HR se faz mais que necessária para que suas expectativas não sejam totalmente frustradas. Mesmo porque Heavy Rain é um lindo game, com muitos momentos de tensão e drama que te farão refletir um pouco sobre algumas coisas da vida.


VOLTANDO AO TEMA...

Não esquenta, Helen: dessa vez você vai receber pela sua imagem













O tema do post é a demonstração de Beyond: Two Souls, então vamos ao que interessa.

-GRÁFICOS: acredite, ou melhor, desacredite quando David Cage afirma que Heavy Rain utiliza quase toda a capacidade de hardware do PS3. O trabalho mais recente da própria Quantic Dream serve como prova da “falsidade” da afirmação de Cage: Beyond é um dos jogos mais impressionantes, graficamente, que já foram feitos para consoles.
Os visuais são impressionantes. Logo no menu principal fica clara a intenção dos produtores em chocar o jogador com o que há de mais moderno e realista na confecção de modelos faciais digitais. Quando meu pai (que entende tanto de videogames quanto Stephen Hawkins entende de participar de maratonas) solta o comentário “esses bichos de videogame parecem gente de verdade, né”? é um indício de que o dever foi mais que cumprido pela desenvolvedora do jogo. Sem mais nada a declarar.

Se isso não é um QTE eu não me chamo Shadow














-SISTEMA E JOGABILIDADE: a boa notícia é que os desenvolvedores deram uma “humanizada” nos controles de Beyond. Agora não mais fica a impressão de que estamos controlando um enviado do cifrudinho prestes a vomitar uma torrente de líquido verde na nossa cara. Os comandos, ao menos na demo, respondem de forma satisfatória e menos problemática. Mudar de direção repentinamente com a personagem ainda causa gargalhadas aqui em casa, mas de uma forma bem mais controlada que jogando HR.

Um dos trailers do game mostrava a fatídica frase “No more QTEs” pululando na tela, ao mesmo tempo em que nos dava uma sensação de alívio. Bem, se por “nada de QTEs” a Quantic Dream entende "pressionar para cima ou para baixo nos momentos em que nos é indicado na tela”, sinto avisá-la de que ela precisa rever o conceito de QTEs nos games. O que eu quero dizer é: esqueça essa conversa ohariana de “nunca mais sofrerei com QTEs outra vez...” Beyond usa O MESMÍSSIMO SISTEMA APRESENTADO EM SEUS ANTECESSORES ESPIRITUAIS, SEM TIRAR NEM PÔR. Ele apenas nos apresenta aos comandos de uma forma UM POUCO diferente. Se você detesta games com esse tipo de interação, não se engane e passe bem longe da pequena notável e seu amigo invisível, Aiden.

Eu vejo gente morta a todo momento, e daí?


Pra você que voltou de marte agora, a mecânica de jogo funciona da seguinte forma: controlamos Jodie com a alavanca esquerda e a câmera com a alavanca direita. Cima, baixo, esquerda e direita servem para fazer a garota interagir com objetos e realizar ações, desde pular um tronco de árvore a dar um chute no saco de um infeliz que resolver ficar em seu caminho. Uma pequena bola de golfe (não consigo pensar em outra analogia) indica os objetos com os quais a menina pode interagir, o que pra mim já representa um balde de água fria na experiência não linear que esse tipo de narrativa deveria ter. Não há muitas opções de rota ou diálogos. Tentei não obedecer à ordem de meu tutor de “entre na sala para começarmos o teste” e o melhor que consegui com minha rebeldia foi a repetição ad nauseum da mensagem “venha por aqui Jodie, esse não é o caminho”.

Fora esse detalhe os QTEs de Beyond funcionam de forma mais agradável que nos outros games, nos presenteando com uma sensação um pouco mais palpável de que somos nós quem estamos no comando das ações, e não as mensagens que aparecem na tela.

Mas, já que abordei o quesito linearidade, gostaria de discorrer um pouco mais sobre esse assunto. Sim, os jogos da Quantic Dream são famosos por seus múltiplos finais e desenrolares de enredo. O problema é que parece que levaram muito ao pé da letra o dito popular “os fins justiçam os meios”.
Joguei a demo de Beyond duas vezes: uma pra tocar o terror durante o tutorial do game (a melhor parte da demo, sem sombra de dúvidas), no qual somos apresentados aos poderes sobrenaturais de Jodie (que os manifesta através da criatura conhecida por Aiden) e uma segunda vez com o intuito de fazer o exato oposto do que tinha feito na jogada anterior. Testar os limites de interação e variáveis presentes no sistema do jogo?  Claro!

Pronto, acertei. Posso assustar a gorducha agora?


Para a minha tristeza, o terror tocado por mim na sala de experiências foi completamente artificial: desejando fustigar a gordinha na outra sala ou não, a infeliz entra em total desespero diante dos poderes sobrenaturais de Jodie independente das minhas escolhas, bem debaixo da minha completa expressão de incredulidade e decepção com a linearidade dos eventos no enredo. Fica difícil chamar essa novela de jogo se nesse palco não há espaço para improvisação.

Antes de encerrar este tópico, gostaria de dar os parabéns aos produtores do game. No menu principal é possível mudar as preferências de idioma e legendas da forma mais prática e fácil possível. Se você curtiu ouvir a voz do Ray (Caça-Fantasmas, recomendo) no tutor da pequena Jodie, vá em frente e aproveite mais um ótimo trabalho de localização de game no país (só não se assuste com a quantidade de palavrões que vai ouvir durante a aventura). Esse é um ótimo indício de que os games no Brasil, assim como a indústria brasileira de games, caminham para um ponto no qual finalmente teremos em mãos produtos brasileiros com a mesma qualidade de acabamento comparável a seus originais estrangeiros.
Uma salva de palmas à Microsoft e sua iniciativa de acreditar no potencial de mercado brasileiro, quando lançou o Xbox 360 oficialmente no país. Vivi aquele momento e tenho certeza que foi decisivo para que outras empresas (Blizzard, Ubisoft) se dessem conta de que índios que convivem com gangues de chimpanzés no meio das ruas também sabem apreciar um bom pedaço de software de última geração.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vai ter que voltar pra caixa. Ainda não foi dessa vez, minha Kara.













A impressão que fica com esta demo é a de que os elementos de jogabilidade de Beyond: Two Souls ficariam melhor representados em um jogo nos moldes tradicionais. E isso até já aconteceu, no game para PS2 Psi Ops, da Midway, em que esse tema de poderes psíquicos foi muito bem retratado. Para os moldes de um game de ação em terceira pessoa, claro (com certeza Psi Ops merece a alcunha de “ótimo game que ninguém jogou”).

O trailer de Beyond, por exemplo, é bastante ambicioso mas deixa a sensação amarga de que estão nos oferecendo uma possibilidade narrativa que na verdade não são capazes de nos entregar no gameplay de fato. Não tenho a menor dúvida que a Quantic Dream tem guardado para os jogadores uma excelente história a ser contada (como em seus games anteriores). O que eu tenho dúvida é se seria justo enquadrar Beyond na definição de game encontrada nos dicionários (a real, não aquela hilariante do começo do texto):

“É um jogo eletrônico no qual o jogador interage com imagens enviadas a um dispositivo que as exibe, geralmente uma televisão ou um monitor. O Playstation é um tipo de videogame muito moderno”. (dic. Informal).


Cenas do próximo capítulo...



Au Revoir!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

SE ENTREGANDO AO MAL SUPREMO...

Eu sou o tipo de pessoa que nunca devia prometer nada, ao menos não a mim mesmo.
Quando eu prometo algo a alguém faço o possível para cumprir com o prometido, mesmo que seguir esses preceitos morais de desenho animado me causem mais problemas que benefícios.

No último domingo, dia 15, prometi a mim mesmo (já sabendo que não ia cumprir) que daria uma folga ao meu dinheiro e só compraria o Diablo 3 quando os preços chegassem a um nível menos canibalístico com a minha carteira. O que eu não esperava, além da vontade absurda de jogar o game, era que a maldita Lojas Americanas se colocasse entre mim e minha promessa de economia com games, como aconteceu no caso do Darksiders II.

Eu sempre fui um cara muito azarado com sorteios, bingos e tudo que envolva porcentagens menores que 75% de chance de ganhar alguma coisa de graça. Que o diga a vez em que eu fui lançar um golpe com Orlandu, no FF Tactics, que mostrava uma chance de 98% e o maldito teve a pachorra de errar bem na minha cara, garantindo um belo L1 + L2 + R1 + R2 + Start + Select da minha parte.
Pois bem, o meu azar também se estende a brindes relacionados a games.

Engraçado como a calculadora de probabilidades do FF Tactics tá sempre no -


Para quem acompanha a saga, não é novidade que a edição de pré-venda do Diablo 3 vinha com uma camiseta e alguns itens in-game exclusivos desta edição.
Mesmo decidido a manter a minha promessa, resolvi dar apenas uma “pesquisada” se ainda era possível encontrar tal edição por aqui em minha terra.
Depois de muitas visitas a lojas especializadas e uma frustrante e patética ida ao sebo de games usados, fui totalmente convencido pelos vendedores de que “não dá mais pra encontrar a edição de pré-venda”, pois ela havia sido disponibilizada apenas... na pré-venda do game.

Já sem nenhuma esperança, decidi dar uma passada na mesma unidade das Lojas Americanas que tinha me proporcionado tanto uma raiva homérica com uma cópia defeituosa de God of War 3 (e uma visita ao procon da minha cidade) quanto a pechincha já citada do Darksiders II.
E qual não foi a minha surpresa ao encontrar não só o game em questão como a já citada edição de pré-venda pelo mesmo preço da versão normal, descansando na vitrine da loja sob os meus olhos incrédulos de azarado nato? Era a minha chance de “ganhar” um exclusivo e verdadeiro brinde nerd de colecionador de cacarecos relacionados a games...

Sonho meu... sonho meu...


Tendo comprado o jogo, a minha única dúvida era quanto ao tamanho da camiseta. Aliás, comprar camisetas pela internet pode ser uma armadilha das grandes.
Comprei apenas duas: uma com o logo da Atari, que quase não usei por causa da má qualidade do tecido; e uma outra com o logo da Weyland Yutani, que é feita de um bom tecido mas com um M na etiqueta que deve significar “mei gordinho” em vez do costumeiro “médio”. Então fica a dica: cuidado ao comprar roupas pela internet.
Mas voltando ao assunto: a camiseta do Diablo 3 não só é linda como pode ser usada em qualquer ocasião sem se configurar como um atestado de virgindade nerd por parte de quem a veste, muito diferente dessa aqui:

O punho de Megaman dá uma pista da sua chance de pegar mulher usando um camisa dessas


Sério, que tipo de pessoa que tenha passado dos 7 anos de idade, em sã consciência, vai ter a coragem de sair na rua com uma camiseta desse tipo?


JO SOY EL DIABLO EN PERSONA

Por muito pouco não traduziram "Witchdoctor" como "Macumbeiro"


Me perdi um pouco mas o caso é que, mesmo vindo no tamanho G (seria de gamer? Rsrsrs), a camisa ficou muito bem e com certeza vou poder usa-la em outras ocasiões que não seja na Super Hero Con ou em um daqueles eventos de mestres de RPG.

Depois de vestir a camisa do meu game preferido (literalmente), era chegada a hora de testar o jogo pra valer. E foi aí que eu quase tive um enfarto do miocárdio: DIABLO 3, MESMO ESTAMPANDO EM LETRAS GARRAFAIS VÁRIAS PALAVRAS EM PORTUGUÊS DO BRASIL EM SUA CAPA, VINHA COM SOM E LEGENDAS EM ESPANHOL. Sim, pois a Blizzard ainda não descobriu que falamos português em vez de espanhol.

Olha o Shadow aí, se exibindo com a camiseta do capeta


Desesperado, fui em opções de áudio. Nada. Opções de vídeo: nada sequer parecido com configuração de idioma. Teria eu gasto mais de uma centena de reais para jogar um jogo todo em espanhol por causa da xenofobia de uma empresa que só sabe onde o Brasil fica na hora de receber o lucro por seus produtos porcamente localizados?

Já na internet, pesquisei no próprio fórum da Blizzard do Brasil para saber se outros tinham passado pelo mesmo problema que eu. Sim, o caso nem chega a ser culpa da produtora do game, talvez. É que o maldito idioma do menu principal do PS3 influencia no idioma geral dos games e do sistema de troféus. Ou seja: se o idioma do seu console estiver em inglês, será preciso (em alguns casos, como o de Infamous) trocar o idioma do sistema para aproveitar o jogo em português (de Portugal. Argh!!!).

Fiz as devidas alterações e o melhor que consegui foi colocar o sistema do game em Português BR, o que já é bem melhor que aguentar Deckard Cain soltando um “ora, pois” a cada frase finalizada.


ESPERANDO PELO COLOSSO SANGRENTO

A minha foi de pós-venda, e daí?


Eu já tinha jogado Diablo 3 na casa de um amigo. E lá o game estava em português br também. Sim, jogar um game todo dublado e traduzido para o idioma local pode ser uma experiência bastante estranha, principalmente para um jogador que se orgulha de seu inglês fluente aprendido com muito Final Fantasy e Chrono Trigger.
Mas o trabalho de dublagem de D3 é tão competente que fica impossível tecer qualquer comentário negativo a esse respeito, a despeito das trapalhadas da Blizzard nas configurações do game.

Aliás, meu preconceito com jogos “abrasileirados” não se limita apenas à dublagem não. Sempre que leio os fatídicos dizeres “Produzido na Zona Franca de Manaus” eu tremo na base, já sabendo que darei de cara com uma caixa tosca de Blu-ray de filme ao invés de game e um manual pobretão em preto-e-branco que podia ser usado para limpar o meu traseiro se ele fosse menos exigente do que é.
Aí fica a pergunta: é pra isso que eu compro produtos originais? Pra receber um acabamento inferior ao item original? Assim fica difícil...

Felizmente, o trabalho de localização da Blizzard é dos melhores e mais atenciosos com a nossa cultura (não se empolgue achando que vai encontrar sacis ao invés de imps andando pelos mapas de Santuário), diferente do atendimento porco e descarado fornecido pelo 0800 da empresa, que nos deixa com uma impressão de total abandono e compra de um produto que flutua no limbo do direito do consumidor.

Diablo 3 conta com legendas em português, fator inclusivo para aqueles que não manjam nada do inglês e querem ficar por dentro de cada detalhe da história. Tudo é muito bem didático e bem feito nos menus e especificação de itens. E eu mal vejo a hora de encontrar um Colosso Sangrento e descobrir os seus atributos mágicos, seja lá o que raios um Colosso Sangrento seja...

"Essas daqui não estão à venda"


Um ponto alto também são as vozes dos narradores no game: dubladores profissionais bastante conhecidos de filmes clássicos da Sessão da Tarde, animes e seriados de TV. É impagável comprar um item com um mercador que tem a mesma voz que o Seu Madruga do Chavez. A vontade que dá é voltar lá e passear pelas opções de diálogo na esperança de ouvi-lo falar “tinha que ser o Chavez do oito...”


O COMBATE CONTRA O MAL SUPREMO CONTINUA

No 0800 da Blizzard é assim: disque 1 para Bárbaro, 2 para Caçadora de Demônios...


E é isso: apesar do despreparo da Blizzard e da sensação de como essa experiência toda podia ter dado terrivelmente errado, sigo na minha jornada no mundo de Santuário para derrotar o mal que nunca dorme, muito bem adornado pelo meu Elmo Infernal; minhas Luvas de Pele do Aprendiz; meu Machado de Duas Mãos Lendário; minhas Botas Encadeadas do Profissional...


Au Revoir!