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domingo, 14 de dezembro de 2014

ALGO DE MUITO ERRADO...


Volta e meia eu paro a programação do blog para dar avisos, choramingar ou simplesmente fazer um desvio no tipo de conteúdo que normalmente se vê aqui.
O lado bom é que eu faço esse tipo de coisa para indicar algum conteúdo de entretenimento que não se encaixa na proposta do site, como livros (apesar de que, ainda, estou devendo o post sobre grandes livros que marcaram a minha vida) e filmes, mas que têm certa importância na minha trajetória como pessoa no geral. 

Isso aconteceu algumas vezes nos últimos meses, e fico mais que feliz com a certeza de que indiquei grandes obras nos posts que escrevi.
Ontem, em mais uma das minhas andanças pelas tímidas prateleiras das Lojas Americanas, seção de DVDs, não resisti ao impulso de levar pra casa um filme que já me paquerava há muito tempo, talvez até mais tempo que o meu romance indireto com Splicer, alvo de outro post de indicação aqui no blog.

Antes de continuar, quero deixar bem claro que minhas opiniões são minhas opiniões, e uma coisa que é a maior festa de fim de ano na minha cabeça pode ser uma maçante confraternização entre colegas de trabalho, na sua.
Outro aviso: ESTE TEXTO NÃO CONTÉM NENHUM SPOILER. Dar spoiler com esse filme, principalmente os seus 30 minutos finais, seria uma atitude passível de pena de morte na Shadowlândia. E eu, mesmo sendo o soberano destes vastos campos verdejantes, sou young demais pra morrer.


A ÓRFÃ?


Segundo a Wikipedia, A Órfã (Orphan, no original) é um filme feito nos EUA e lançado no ano de 2009. Foi dirigido por Jaume Colete Serra e lançado pelo Dark Castle Entertainment, um estúdio que eu aprecio deveras. De acordo com a página, ele foi orçado em 20 milhões de dólares e foi um grande sucesso de bilheteria e crítica (gerando uma receita de mais de 70 milhões, se pagando completamente e ainda dando muito lucro). E é aí que eu me pergunto: o que raios eu estava fazendo em 2009 que não percebi um filme desses passando no cinema? Bem, deixa pra lá.

A Órfã conta a história de um casal tipicamente americano (mas sem os clichês tão comumente ruminados no gênero suspense) que resolve adotar um filho crescido depois que a esposa perdeu a gravidez.
Eles vão a um orfanato e acabam trazendo pra casa Esther, uma garota de 9 anos de idade muito madura e inteligente. Esther exala uma aura sombria de que “há algo de errado nessa garota”. E a graça do filme é ele justamente transcender os clichês de filme de suspense, no qual um casal adota uma criança visivelmente perturbada mas são tapados o suficiente pra só perceberem o real problema quando já é tarde demais.

Aliás, o maior mérito de A Órfã é justamente este: o telespectador, assim como os protagonistas, só consegue se dar conta da real dimensão do problema que a perturbada Esther representa quando já é desesperadoramente tarde demais.


O QUE MAIS ME AGRADOU EM A ÓRFÃ


Primeiramente foi a capa. Antes de comprar o DVD eu achava a capa desse filme bem tosca, típica de filmes B que saem diretamente em DVD por que ninguém se daria ao trabalho de ir assisti-los no cinema. Depois de comprar e prestar mais atenção, e principalmente depois de descobrir o segredo principal do filme, passei a gostar bem mais da capa do título, inclusive tendo a certeza de que a personagem Esther é a garota-propaganda perfeita de um filme com temas tão pesados e cenas chocantes. Falando nisso, como são fortes as cenas desse filme.

Não vou dar spoiler do enredo, e posso citar uma cena do começo pra dar uma noção do que eu falo: a cena do pombo, e você sabe de que cena eu estou falando, me fez virar o resto pro outro lado de uma forma tão abrupta que eu não esperava que fosse acontecer com um filme de suspense. 
Uma outra parte, também no começo, mostra a perspectiva do mundo encarado por uma pessoa com surdez. De uma forma completamente delicada e emocionante, o filme nos apresenta um elemento que, num momento desperta ternura e sentimentos fortes de empatia pelo próximo, para num outro nos aterrorizar com esse mesmo ponto de vista, evocando sensação de impotência e aflição.

As cenas desse filme, principalmente as de violência, são tão bem encaixadas que passam aquela sensação que toda cena devia passar: a de que elas estão ali porque não tem outro jeito de contar a história, e de que não estão colocadas de forma que banalize a violência ou para causar choques baratos no telespectador. Você vai se impressionar com alguns momentos nesse filme. Você vai duvidar das motivações da personagem e duvidar da veracidade dessas cenas... até o ponto em que você descobre o terrível segredo que faz Esther ser uma das mais (se não a mais) aterrorizantes personagens infantis já criadas no cinema.


Essa personagem é assustadora. Claro, durante todo o filme cenas de senso-comum dos filmes de suspense (como aparições súbitas nas costas de alguém ou no espelho) vão te enganar e pensar que A Órfã se trata de mais um filme sem cérebro recheado de jump scares baratos. Mas não se engane: esse filme se parece muito com o caso que eu descrevi no post sobre Splice, com cada cena sendo posicionada muito bem no enredo e com uma exata razão de ser. Essa razão, mais uma vez, vai fazer todo o sentido com o final surpreendente que vai te assombrar por alguns minutos mesmo depois que os (lindos) créditos rolarem.

Eu não faço o tipo bebê chorão que não está acostumado a sangue e violência em filmes. Muito pelo contrário: minha infância foi regada a muito gore e filmes lado B de terror, assim como filmes totalmente lado A como Alien, Tubarão e milhares outros mais. Mas ao terminar de assistir A Órfã, confesso que fiquei bastante apreensivo de ter que dormir com a porta do quarto aberta e totalmente na escuridão. Isso porque esse filme aborda um tipo de horror dos mais cabulosos que existem, que é o psicológico.
Ter um estranho invasor em casa, uma pessoa que você pensava que conhecia mas que na verdade não é exatamente quem você pensava que era, é uma das sensações mais terríveis de insegurança que uma pessoa pode sentir. Adicione uma mente totalmente manipuladora, uma faca peixeira e um 38 à receita e você tem um dos melhores filmes de suspense já feitos desde O silêncio dos inocentes.

Só pra concluir, gostaria de deixar um grande elogio à atuação das crianças desse filme. É incrível como as crianças americanas conseguem estar a anos-luz das de outras nacionalidades quando o assunto é interpretar.


HÁ ALGUMA DE MUITO ERRADO COM VOCÊ... SE NÃO INTERESSOU EM ASSISTIR A ESSE FILME.


A Órfã foi uma grata surpresa. Eu queria poder viver em um mundo fictício onde pudéssemos simplesmente pagar uma quantia de R$14,99 por algo, não importando o contexto e o objeto da compra, e contar com uma experiência de entretenimento igual à que este filme se propõe a oferecer.

A Órfã é um filme perturbador, assustador e muito impactante, que te faz sentir um medo e desconforto reais pela figura da personagem principal, Esther. É impossível evitar a sensação de desconforto, revolta, apreensão e medo que os minutos finais desse filme conseguem passar ao telespectador.

E é isso. Fico por aqui, sem querer me prolongar demais, e com a certeza de que indiquei mais uma ótima obra que possa ter passado despercebida por você mas que, sem sombra de dúvidas, vai te dar aquela sensação deliciosa de “eu devia ter visto esse filme antes...”
Fiquem na paz e tenham sempre algo em mente: há algo de muito, mas muito errado com essa garota...


Au Revoir

sábado, 15 de novembro de 2014

SOBRE DOCES, FALHA CRÍTICA E CRIAÇÃO DE GALINHAS


Minha carreira gamer está em mudança. Quando eu ouço o agradável bip de início do meu estimado PS3 apenas duas vezes em um período de mais de 30 dias, definitivamente é um sinal de que a minha carreira gamer só poder estar em transformação. Ou talvez apenas passando por uma acomodação menos apegada a mídias físicas e controladores da década de 70 sem funções de toque ou uso de acelerômetro.

Sim, venho por meio deste (post) dar a tão temida notícia ao meu querido console já obsoleto (som aberto na pronúncia do E. Aposto que essa você morreria sem saber. Duvida? Consulte o dicionário!): OS JOGOS DE CELULAR VIERAM PRA FICAR. E a criação do novo marcador do blog foi totalmente justificada, acabando com a dúvida que ficou ao final do primeiro post sobre jogos móbile.

Não há como resistir: os jogos de smartphone são gratuitos (na maioria das vezes); estão a uma “distância” de um toque na tela do seu aparelho; muitos deles passam longe do estereótipo de “jogo casual”; e maioria conta com um acabamento gráfico e sonoro de causar uma pontinha de inveja nas maiores produções da grande indústria de games da atualidade (consoles e PCs). Ou seja: só um louco deixaria um potencial como este passar despercebido.

Nos 2GB de memória do meu celular isso não cabe nem a pau


E, dando continuidade a minha lista de ótimos games para celular recém-descobertos, gostaria de trazer mais três pérolas deste mundinho móvel e imediatista, mas de forma alguma insignificante. Mas de antemão fica o aviso: um deles tem potencial pra te transformar em um castor obsessivo; um outro tem uma grande chance de causar ondas de saudosismo em seu sistema límbico e o terceiro vai despertar a criança latente em seu interior. Mas não necessariamente nessa mesma ordem. Cabe ao leitor acompanhar o post por completo e descobrir qual título se encaixa em qual descrição (jogos... adoro fazer jogos...).


CUT THE ROPE

Agora nãããããoo! Deixa pra cortar depois!


Esse é de graça, mas vai te surpreender pela quantidade de conteúdo disponível (é bem provável que você enjoe dele antes de completar todos os “mundos” disponíveis). Cut the Rope se enquadra na categoria puzzle, e foi uma indicação do camarada Aquino do Retina Desgastada.

Pra falar deste jogo, decidi que não explicaria muita coisa sobre o sistema de game em si. Em parte porque Cut the Rope é tão simples de jogar que dispensa apresentações. Em parte, pra instigar a curiosidade do leitor. E, em outra parte, porque esse é um jogo que DEVE ser jogado por aqueles que possuem um aparelho compatível. Mesmo que você não goste do estilo do game, tem um simples detalhe em Cut the Rope que vai valer o download do arquivo (e vai te fazer sorrir como uma criança novamente, caso você não seja um velho rabugento que detesta animais e considera o Dr. House o seu ídolo supremo).

DESENHOS

Além do jogo, o download nos presenteia com curtas de animação de mais ou menos um minuto e meio cada. São filminhos em alta definição que contam a história de Om nom, um pequeno alienígena com um nome que parece um typo (No começo eu pensava que ele era um sapo, mas a música tema do pequeno me dá a quase certeza de que se trata de um visitante desejado de outro planeta). Om nom tem uma obsessão em comer doces, sendo que a mania do pequenino verde é mais engraçada que doentia, diferente de mascotes como Scrat, da Era do Gelo.



A personalidade de Om nom é muito engraçada, principalmente em suas expressões e “diálogos” in game. Mas você não vai conseguir aproveitar tudo que o pequeno astro tem a oferecer se apenas jogar o jogo e ignorar o botão Desenhos, presente no menu principal.
Depois de assistir os três primeiros episódios fica impossível não se apaixonar pele meiguice do mascote (que deixa grandes criações, como o Sackboy da Media Molecule, desejando uma visita ao psicólogo pra saber onde foi que erraram). Os vídeos presentes no game são de uma delicadeza, puerilidade e encanto que vão te fazer desejar ter 7 anos de idade novamente, só pra poder rir da forma como os desenhos merecem que você ria com eles. Bem, eu tenho 32 anos de idade e não vejo nenhum problema em rir como uma criança quando um objeto é merecedor desse efeito.

Contatos imediatos do terceiro grau


Mesmo que você seja completamente louco de não querer jogar (ou um velho rabugento que detesta animais e...), assista aos desenhos. A Zepto Lab merece os créditos pelo seu magnífico trabalho (e por conseguir fazer um marmanjo de 32 anos de idade rir feito um pimpolho de 7...). Deixo o vídeo para o episódio do banho pra você ter um gostinho das doces aventuras de Om nom pelo espaço e, por que não, tempo também. Mas aviso logo que, caso você não se encaixe na descrição de sexagenário acima, você assistirá aos três primeiros episódios dos curtas já se lamentando pela sua curta duração e pela pouca quantidade.




MÚSICA E GRÁFICOS



Como esse post não deixa de ser uma análise, queria falar um pouco sobre os gráficos e música.
Os gráficos do game são lindos, lembrando (como não poderia deixar de ser) um colorido desenho animado. A física do game é impecável, e muitas vezes você vai descobrir que isso é mais um empecilho para você que do que uma qualidade em si (não que seja um defeito, só pra deixar claro).

A música de Cut the Rope é, com certeza, o seu maior trunfo. O tema principal, do menu, vai te fazer procrastinar o início das partidas. Já nas partidas, você vai completar um desafio após o outro com a certeza absoluta de que poderia passar por mais 300 fases do game sem enjoar da maravilhosa música de fundo. Mesmo com poucas faixas, Cut the Rope possui uma trilha que merecia muitos prêmios, te dando aquela sensação de “cara, é impossível enjoar dessa música...”


CORTANDO A CORDA MAS NÃO DEIXANDO O DOCE CAIR

Tem o 2, Viagem no Tempo, Experimentos... é doce que não acaba mais.


Cut the Rope é um daqueles achados que te fazem temer pela possibilidade de nunca tê-lo conhecido. É de uma leveza incrível, sendo o tipo de jogo que te faz sorrir mesmo quando você perde (a cara de Om nom quando o doce cai é hilária, assim como o som que ele faz quando o doce está perto da sua boca).
A mensagem do game pode até não ser uma das mais educativas no quesito nutricional, mas se você tem filhos com certeza vai querer mostrar esse jogo pra eles.
Não sei se as minhas desajeitadas palavras fazem jus ao sentimento que tenho por este game, mas fica a indicação de um lindo jogo gratuito que vai te fazer ver a vida (e os doces) com um pouquinho mais de leveza. Acho que estamos precisando mais disso nos dias de hoje.


KNIGHTS OF PEN AND PAPER +1 EDITION

Confessa: é empolgante ou não é?


Sim, eu sou um nerd. Nunca neguei isso. E como todo bom nerd que se preze, já participei de sessões de RPG de mesa, aqueles que são contados por um Mestre de sessão e que se baseiam em livros como Advanced Dungeons and Dragons ou Vampiro a Máscara.
Se você nunca participou de uma sessão de RPG de livro e se acha o RPG master só porque fechou todos os Final Fantasies já feitos, sinto te avisar que você não passa de um nerd pela metade. Ou um nerd incompleto. Ou um nerd fajuto. Ou um nerd...

Digressões a parte, o jogo a seguir é o Cavaleiros de Caneta e Papel. Infelizmente, Knights (pra encurtar) não é gratuito. Ele custa pouco mais de R$11,40 e rola uma confusão no preço que, no final do cálculo, vai privar a sua carteira de salgados (pro padrão de jogo mobile) R$35,00. Não sei como isso funciona mas a loja mostra o preço em reais e depois te cobra considerando a conversão do dólar e outras taxas mais.

Queria eu que as minhas sessões de RPG contassem com paisagens como essa


A boa notícia é que Knights realmente vale os trinta e cinco reais investidos, caso contrário não seria alvo do meu post. E, diferente de Cut the Rope, Knights of Pen and Paper não dispensa apresentações. Dificilmente você vai querer baixar o jogo se não se encaixar na descrição de nerd que eu dei no começo do tópico, então faz-se necessária uma explicação sobre o sistema e os atrativos que fazem do game um download digno de algumas araras e uns peixes.


SISTEMA

Nem tente chegar a Mordor. Deve custar uns R$300,00...


Knights of Pen and Paper é um jogo de RPG por turnos que simula uma partida de RPG de mesa. Logo de cara você vai perceber que não controla um protagonista, e sim (de dois até) cinco jogadores sentados em uma mesa recebendo instruções de um mestre de sessão troll (que pode ser um rato, uma pessoa normal e até um sábio humano-raposa) que gosta de tirar sarro com a sua cara.
Você pode escolher as missões que realizará, e a cada mudança de cenário seus personagens são transportados para o ambiente em questão (me lembra a Sala de Perigo, dos X-Men), mesmo que nunca tenham a chance de descolar suas bundas da cadeira.

Olha o meu E.T mago aí. Não falei?


Muitas de suas ações são determinadas pela rolagem de dados, que podem fazer você chegar ao seu destino em segurança (um acerto normal) ou te surpreender com seu bando sendo atacado por uma gangue de piratas no meio do caminho (a tão temida falha crítica). Há dados estatísticos para habilidades, compra de itens (e coleta de monstros), evolução de personagens por meio de XP e, mais uma vez, muita tiração de sarro por parte do seu mestre de sessão troll (You shall not pass!).

Além do excelente humor no game, que faz paródias que vão desde Super Mario à Tartarugas Ninja e a um certo “cara de um olho só presente na cultura brasileira”, Knights conta com uma alta quantidade de customização de itens e objetos da sua mesa de RPG, bem como do próprio Mestre de sessão.
Os personagens jogáveis são figuras ilustres que não poderiam faltar em uma boa sessão de Vampiro a Máscara: um E.T versado em artes mágicas; Sr. John, o homem-lobo; o Carinha que entrega pizza; um nerd e alguns outros mais que me fogem à memória no momento.

Sei que é spoiler, mas essa foto é tão legal que eu não resisti


Pra finalizar a parte de sistema, o jogo conta com uma alta dificuldade, muito embora que esteja longe de ser proibitiva ou desencorajadora: apenas respeite o nível mostrado nos locais pra não ser massacrado por monstros mais fortes e seja feliz em suas andanças pelo mundo pixelado de Pen and Paper.


GRÁFICOS E MÚSICA

Acho que subestimei o visual de Knights. Tibia perdia feio...


A música do game não é nada de incrível, ficando bem atrás de jogos como Cut the Rope ou os outros excelentes jogos citados no outro post. Mas este aqui não faz feio. As trilhas de Knight fazem jus ao clima de RPG clássico, e mesmo que perca no quesito qualidade, ele dá um banho quando o assunto é variedade de temas.

A parte visual é a que pode gerar mais barreiras aos jogadores mais xiitas acostumados a gráficos embasbacantes em full HD. Knights of Pen and Paper tem um visual tosco que lembra muito um grande sucesso das lan houses na década passada. Sim eu estou falando do amado por uns e odiado por outros, Tíbia. E não, eu nunca joguei, mas tirava muito sarro da cara dos meus amigos que o faziam. Quem disse que eu não tenho manchas negras no meu currículo gamer?

"Pare de TENTAR  me acertar e ME ACERTE, Neo".


Se você dá valor mais a gráficos que a experiência de jogo, só posso sentir pena da sua superficialidade. Até porque eu fico impressionado como games deste tipo conseguem satisfazer o jogador como nenhum Final Fantasy em hyper definição vem conseguindo.


TESTE DE CARISMA + INTELIGÊNCIA, DIFICULDADE 9...

Esse jogo tira um sarro pesado com o estilo de vida nerd


Como eu paguei por esse jogo, acho que se enquadra a clássica frase que finaliza os meus reviews: KNIGHTs OF PEN AND PAPER ESTÁ VALENDO A COMPRA? A resposta é direta: SIM.

O jogo em questão é muito bom, contando com um excelente humor, dificuldade na medida e uma experiência final que vai te fazer dar gargalhadas (espero que você não faça isso na fila do banco) quando alguém mencionar o fato de como games de celular podem ser “casuais”.

A ideia de Pen and Paper é ótima, e não consigo evitar de me perguntar o que aconteceria com séries como Final Fantasy, Persona ou Dragon Quest se este excelente conceito de jogo fosse abraçado por empresas mais famosas e de grande porte como... Square-Enix, Atlus ou Level 5. Eu sei, soou totalmente contraditório esse comentário mas não consegui outra forma de me expressar.


FARMVILLE 2: COUNTRY ESCAPE

Vem cheirar estrume você também! Tá esperando o quê?


Outro jogo que vai te fazer dar risadas da falsa impressão que as pessoas têm de que um jogo casual não pode conter uma experiência mais profunda.
Farmville é um simulador de fazenda muito parecido com Harvest Moon. Você é um fazendeiro que precisa cultivar e prosperar, num estilo de jogabilidade que lembra Sim City. Mas, antes de continuar a falar mais desse jogo, preciso dar um aviso:

MUITO CUIDADO COM ESSE GAME. Farmvillle é um daqueles jogos que podem desenvolver uma obsessão em você. O gerenciamento de tarefas no game podem te fazer perder a noção de tempo, necessidades fisiológicas e prioridades sociais (como estudar pra uma prova de histologia ou fazer coisas mais variadas em seu final de semana).

Não se engane com esses rostinhos inocentes: esses dois meliantes planejam detonar com sua vida social


Esse jogo é viciante. Eu mal tinha noção do mal que estava lançando sobre a minha morada quando, inocentemente, baixei e instalei o arquivo no meu celular.
Alguns jogos podem causar esse efeito no jogador. Na minha adolescência, fui vítima de games como Resident Evil e a sua obsessão em fazer o trajeto mais curto levando a maior quantidade de itens possível no menor tempo. O resultado é que essa obsessão por eficiência acabou invadindo a minha vida particular e real. Se eu não fosse um adulto com plena consciência das minhas responsabilidades, neste exato momento estaria fisgado pelas tarefas intermináveis (e bucolicamente prazerosas) impostas pelo jogos e seus fazendeiros amigáveis de olhos esbugalhados.

Não entendi o sistema a tempo e acabei perdendo uma exclusiva gata preta. Eu sei, mea culpa


Pra completar a desgraceira, alguns objetos de coleção (fitas, animais raros, selos e troféus) alimentam o problema daqueles com menor força de vontade.
Diante desse cenário monstruoso e destruidor de tempo livre, fica o aviso: se você não sabe se impor limites ou tem pouco tempo sobrando, nem comece a jogar Farmville 2. Acredite, é o tipo de novidade que você não precisa em sua rotina.


MÚSICA E GRÁFICOS

Acredite: você dará pulos de alegria quando vir essa tela


Sem muito o que falar aqui: os gráficos de Farmville 2 são lindos, cartunescos e coloridos na medida certa.
A parte sonora é outra história, pelo fato de que Farmville só possui duas músicas: uma que parece ser uma paródia da velha conhecida O velho McDonnald tinha uma fazenda, ya ya ô; e uma outra que não tem como descrever mas que vai grudar na sua mente mesmo depois que o celular estiver desligado.

Mal vejo a hora de desbloquear essa área


A boa notícia é que estas duas faixas são ótimas, passam uma sensação de tranqüilidade que só poderia ser conseguida com o ambiente campestre de fazenda e, mesmo enjoando um pouco, as faixas (e os efeitos sonoros) são boas o suficiente pra te fazer desistir de desativa-las na opção de configuração.


SISTEMA

Qual demora mais pra ficar pronto: batata frita, lã ou calça jeans? Você ficaria surpreso com a resposta...


Explicar o sistema de um jogo como este é algo trabalhoso e desnecessário. Mas em resumo: você precisa plantar e realizar tarefas. Algumas tarefas levam segundos, outras literalmente horas para serem concluídas. A sorte é que o tempo de jogo é real e continua mesmo quando você não está jogando, o que ajuda se você conseguir coordenar as tarefas mais demoradas com os períodos que você ficará afastado do game (trabalho, faculdade, dormindo).
Uma falha que eu achei nesse sistema é que o ciclo de tempo é imutável: sempre é dia em Farmville, detalhe que nos priva de uma curiosa cena de animais dormindo ou raposas matreiras fazendo uma visita indesejada a nossas galinhas na calada da noite (apenas especulação, óbvio. Não há violência ou agrotóxicos no mundinho perfeito de Farmville).

Pato-cabra, eu escolho você!


Falando em tarefas, por mais que você se orgulhe do seu curso superior de zootecnia, uma hora você vai ficar sem ter o que fazer no game. Isso se dá pela demora em algumas atividades e pela forma como você as sincroniza, bem como pela curva de evolução do game, que está pouco se lixando pela sua ansiedade em alcançar o nível 20 e poder plantar aquele desejado pé de uvas verdes com o qual você sempre sonhou. Então, senti muita falta de minigames descompromissados que suprissem essa carência. Seria muito legal participar de corrida de saco ou ordenha de vacas nas horas vagas.

Seis mil chaves? Quem eu preciso matar pra conseguir isso?


Pra encerrar a parte de sistema, preciso dizer que este game é gratuito mas tem lá as suas estratégias pra te convencer a torrar dinheiro real em sua brincadeira virtual. Então, fica mais esse conselho: JAMAIS GASTE UMA CHAVE DE MANEIRA BANAL.
As atividades levam tempo para se completarem, como eu já tinha dito. Para preparar refeições e construções, será preciso dispor dos ingredientes corretos. O jogo, matreiramente, te dá a possibilidade de acelerar o processo de criação de itens ou (magicamente) conseguir ingredientes faltosos na produção dos mesmos, e tudo isto consome chaves, o item mais difícil de conseguir (de graça) no jogo. E elas custam dinheiro, caso você ainda não tenha entendido aonde eu quero chegar. Então, não gaste chaves. Nunca. Mas nunca mesmo...


MANDANDO A VACA IR PRO BREJO (TEMPO ESTIMADO PARA A CONCLUSÃO DA TAREFA: 2H 48M E 29 S...)


Você confiaria abraçar um pinto cinza de bigode? Eu não...


Farmville 2 é um jogo excelente. Um jogo que deve ser jogado com parcimônia, pois é viciante e pode tomar mais do seu tempo do que você está disposto a entregar. A experiência com este game deve ser cautelosa e pouco apressada, visto que algumas recompensas levam certo tempo para ser obtidas.
Se você é uma pessoa desorganizada, este jogo pode de te dar uma noção de que como organizar ideias, priorizar eventos ou se frustrar terrivelmente pelo fato de uma maçã demorar menos pra crescer que a fabricação de um par de meias.

Mas lembre-se: depois de jogar Farmville 2, dificilmente seu cérebro vai interpretar um som de sineta da forma como fazia antes.



CONCLUSÃO

Mais três excelentes jogos e uma maior sensação de dever cumprido. Aqui eu encerro este segundo post sobre games portáteis/móbile, satisfeito com o resultado do post mas preocupado com essa nova tendência de relegar a elaboração de posts mais tradicionais em prol das facilidades (e gratuidade, why not?) de escrever sobre jogos para celular.

Quanto a isso, posso adiantar que os leitores não precisam se preocupar: mesmo jogando pouca coisa nessa entressafra de games pós nova geração, posso adiantar que tenho a intenção de publicar os textos sobre Kingdom Hearts, South Park The Stick of Truth, Resident Evil (falarei da série toda depois que jogar o remake, ano que vem) e Alien Isolation (dadas as notas que este recebeu, estou em dúvida se espero pra jogar no PS4 ou compro pro PS3 mesmo).
Quando dispuser de mais tempo e de um console de nova geração, darei continuidade a marcadores como Jogando, Tentando Gostar de... e etc.

PS3 ou 4? Dúvida cruel...


Au Revoir.


sábado, 25 de outubro de 2014

SOBRE PRAGAS, TUBARÕES, COMPUTADORES PORTÁTEIS E ZUMBIS

Eu nunca fui um cara obcecado por tecnologia, daquele tipo de gente que troca de celular com maior frequência do que troca de escova de dente. Mas a tecnologia está em todo lugar e ao nosso redor. Não há como escapar. Se você não está habituado a termos como Facebook, Google ou Youtube, prepare-se para receber olhares de desaprovação e estranheza dos que estão por perto.

E, infelizmente, trabalho e faculdade geram novas necessidades de interação social que exigem um pouco mais do nosso bolso e da nossa paciência também. E, depois de dar de cara com uma sala de aula vazia por duas vezes e dar uma baita de uma viagem perdida, decidi que trocaria de celular e compraria um aparelho que me permitisse utilizar o tão famoso e popular What’s Up, um aplicativo que serve, basicamente, pra compartilhar fotos de putaria com seus amigos na internet.

Já vi uma pessoa fazendo isso.. EM CIMA DE UMA MOTO! Sério.


Bem, o fato é que, ao menos pra mim, ele vai servir como uma forma de ficar sabendo quando e por que não vai haver aula na faculdade (os professores e 99% das outras pessoas no Brasil têm o hábito de dar recados e aviso de toda sorte por meio desse aplicativo, poupando pessoas como eu de dar viagens perdidas depois de um longo e cansativo dia de trabalho).

Preciso avisar ao Shadow que a aula foi cancelada


E, sempre que eu troco de aparelho, seja console ou celular, eu gosto que a troca seja acompanhada por certa evolução tecnológica. Isso me garantiu boas experiências com alguns jogos de celular. Se você não acompanhava o blog em seu ano de estreia, 2011, deixo um link para o post de Doom RPG, um excelente jogo de portátil que eu recomendo aos leitores de olhos fechados. 


SUPERMÁQUINA DE JOGAR DE BOLSO (E DE QUEBRA AINDA FAZ LIGAÇÕES E ENVIA TORPEDO...)

Meu mais novo xodó. Tomara que "o dono" não leve...


Nos últimos anos as experiências que tive com celulares não podem ser classificadas como muito positivas por minha pessoa: tive um celular LG, de teclado, que foi levado durante um assalto, fato que me obrigou a substituir o aparelho antigo (do qual eu gostava muito, pela ótima qualidade de som e configurações em geral) por um Nokia Asha 305, um aparelho de toque com tela resistiva que não durou muito em minhas mãos (levou uma queda de uma altura de 30 cm e partiu ao meio - a tela, claro – como se fosse uma casca de ovo. Vai entender...) mas cumpriu o seu papel (ouvi muita música com ele e consegui terminar o Doom RPG II, além do meu companheiro antes de dormir, o excelente Brain Challenge).

Tá cada dia mais difícil começar uma conversa com um desconhecido por causa deles...


Cansado da falta de sensibilidade desse tipo de pseudo-smartphone, decidi que retrocederia aos velhos celulares de teclado e comprei um outro LG, que simplesmente não sei o modelo. Ele é o mais parecido possível com o antigo LG, e ficará servindo como estação de músicas (dada a sua alta duração de bateria e resistência a água e quedas, coisa que os smartphones atuais pecam miseravelmente).

Para dar o salto que eu queria, escolhi o Motorola Moto E. Mas, antes de continuar a explicar as razões de ter escolhido este aparelho, gostaria de deixar bem claro que esse texto não se trata de um review do aparelho ou tem qualquer pretensão de fazer propaganda da marca X ou Y. De fato, já recebi várias propostas de colocar propaganda no blog mas recusei todas, visto que não tenho interesse de capitalizar em cima do blog. Faço o que faço pela diversão de escrever sobre algo que eu gosto e por amor aos games, meu meio de entretenimento favorito.

Você acertou: mais uma imagem com uma crítica social/comportamental disfarçada


Pra ser mais exato, eu usei dois meios pra me decidir sobre qual aparelho comprar. Aliás, três meios, visto que contei com a opinião de um colega de trabalho que possui um aparelho igual. Acredite, essa ainda é a melhor forma de escolher alguma coisa. Comigo sempre funciona. Mas os meios utilizados foram: assistir vídeos no Youtube e pesquisar em um site chamado Versus. Esse site é bem interessante. Ele conta com dois campos de pesquisa pra você inserir o nome de dois aparelhos os quais você deseja fazer uma comparação. Então ele dá uma pontuação de cada quesito dos dois aparelhos e faz uma comparação direta. Aconselho. O vídeo do Youtube a que eu assisti foi do canal Eu Testei. Colocarei aqui o exato link do vídeo que me ajudou a escolher o Moto E, já recomendando o excelente trabalho da mina dos vídeos (que tem uma linda voz mas eu não sei o nome).



Bem, o fato é que o vídeo deixa bem claro os porquês de eu ter comprado esse aparelho, e repeti-los aqui seria enfadonho. Mas entre eles posso citar o baixo preço (pros recursos que tem), a duração de bateria (aproximadamente 28 horas. Acredite, essa é uma média muito boa quando o assunto são smartphones), poder de processamento satisfatório e tamanho de tela. Todos esses requisitos me permitiriam, além de utilizar o What’s Up, passar para o próximo nível nos jogos de celular e experimentar algumas das maravilhas que as telas de toque (de verdade, as capacitivas) podem proporcionar aos gamers.

E aqui começo a minha nova geração de games pra celular, falando sobre três games que eu joguei pouco mas gostei muito, e que gostaria de indicar aos leitores. Vale lembrar que todos são gratuitos. As configurações necessárias pra rodá-los sem engasgo eu simplesmente não sei, então procure pesquisar um aparelho que seja compatível.


DEAD TRIGGER 2



Sim, já estou até o pescoço com qualquer coisa que tenha a ver com zumbis. Pra esta encarnação acho que já deu. Mas, como sempre gosto de dar uma segunda chance às coisas desconhecidas, decidi baixar Dead Trigger 2 e ver do que ele é feito.

O game fala do velho apocalipse zumbi sem razões aparentes que assola o mundo. É um shooter em primeira pessoa com alguns elementos de estratégia, na customização de itens e do seu QG.
Uma coisa que sempre me preocupou em celulares de toque é a jogabilidade dos games. O Doom RPG II mesmo me causou muito desconforto durante a jornada, visto que os toques eram imprecisos (mesmo calibrando a tela milhares de vezes) e a navegação pelos cenários uma verdadeira tortura. Mas Dead Trigger é completamente diferente, no bom sentido.

Não é XCOM mas é preciso planejar antes de estourar cabeças


Uma coisa que enche o saco de um jogador experiente como eu são os tutoriais. Depois de mais de vinte anos jogando videogames fica difícil aturar um jogo retardado te tratando como um... retardado que não sabe que uma escada serve ou pra descer ou pra subir um andar. DT 2 não faz isso, nem de longe.

Logo de cara o jogo nos ensina o básico da sobrevivência em uma curva de aprendizado bastante sutil e agradável, considerando a possibilidade de que você possa estar jogando um game desse gênero pela primeira vez mas sem te tratar como um incapacitado mental.
Uma coisa que me deixa muito frustrado é quando um jogo se preza a aparecer em uma mídia específica (toque, microfone, sensor de movimento) mas não utiliza todos os recursos que a tecnologia oferece (heim, Nintendo, e sua infeliz dica de jogar com o 3D desligado?). E fico feliz de dizer que isso não acontece com o game em questão.

Você não leu errado: é Galinha Terrorista mesmo. Jogue e entenderá


Os comandos são simples e todos baseados em toque, como não poderia deixar de ser. Na parte superior esquerda da tela você controla o movimento do personagem. Na parte superior direita, a visão. Pra atirar, basta mirar nos zumbis que o tiro sai automaticamente. Num primeiro momento achei isso uma baita bundamolice, mas com o passar da jogatina toda a ação flui de forma tão espontânea que você simplesmente se esquece que outros jogos mais “tirânicos” exigem que você use um botão pra atirar.

Os gráficos são ótimos, te fazendo se perguntar o porquê da necessidade de comprar um portátil como um PSP ou Vita. A trilha sonora dele também empolga, tendo temas de rock sem encher o saco com faixas clichês e sem personalidade.

Nem cansa os dedos nem esquenta na mão. Pode confiar


No sistema do jogo é possível adquirir novas armas, criar itens e esse tipo de frescura que nos dá impressão de profundidade. Vale lembrar que todos os três jogos sobre os quais falarei no post possuem sistema de Conquistas e possibilidade de publicar seus feitos em redes sociais como Facebook e Google Plus, além de contarem com expansões de conteúdo e itens pagos, claro.

Sobre o Dead Trigger é isto: é melhor do que o esperado; o jogo básico não custa nada, saindo na faixa; tem um visual muito bonito e ação interessante que vai te fazer sentir pena de predecessores mais ambiciosos (como Resident Evl 6) que não conseguem ter metade da graça que este aqui tem.



PLAGUE INC.

Ataca primatas sem distinção de filo...


Esse jogo não é totalmente desconhecido, sendo que até fez um sucesso bem considerável.
Plague Inc. vem pra saciar o meu lado biólogo de gamer, sendo que tomei conhecimento deste aqui pelo canal do Zangado, no Youtube.

Plague Inc. é um tipo de simulador ao estilo War, no qual você visualiza apenas o mapa-múndi e tem a tarefa de criar uma doença que deve se espalhar pelo mundo e contaminar (e, de preferência, matar) o máximo de pessoas possível.
Eu sei, a ideia parece ser bem monótona. De fato, nos primeiros minutos de jogo eu fiquei me perguntando sobre como seria possível me divertir com um mapa do mundo pintado de pontinhos vermelhos. Mas a graça de Plague Inc. está nos detalhes.

Que cientista maluco não ficaria orgulhoso diante de uma criação destas?


Você começa escolhendo o nome da bactéria que pretende evoluir. Com um pouco de criatividade você já pode utilizar um recurso que, no mínimo, vai garantir umas boas risadas entre os seus amigos que não conhecem o game. Depois, com o disseminar da doença, podemos evoluir algumas características que farão com que a praga se espalhe com maior velocidade, seja acompanhada de sintomas mais letais ou mais difícil de ser combatida. Claro, a OMS não ficará de braços cruzados diante de tal risco biológico, e escolhas como um sintoma muito agressivo e letal podem acabar servindo de estopim para a pesquisa mais rápida de uma cura ou campanhas mais efetivas de saneamento e higienização. Sacou agora onde está a graça do gerenciamento de Plague Inc.?

Febre, dor de cabeça, náuseas, órgãos internos derretendo... Será que a velha canja da sua avó resolve o problema?


Um detalhe em especial são as notícias, todas em português, sobre o andamento da doença e a reação que os países estão tendo com o avançar da sua criação. Bizarro no mínimo.
Dos três jogos, Plague Inc. foi o que eu mais joguei e o único que já acabei. Apesar de que eu estaria sendo mais honesto se dissesse que foi Plague Inc. que acabou comigo, visto que a minha praga foi erradicada em dois anos, depois de infectar toda a população do planeta e ser exterminada sem dó nem piedade por uma maldita cura desenvolvida pelos europeus. 
E nessa hora não tem recombinação genética que dê jeito: é game over, retorno ao poço de genes (leitores de Dawkins entenderão...) e começar do zero, partindo de uma reles e humilde cadeia polipeptídica...


HUNGRY SHARK

Só tem um elemento nessa foto que não se encaixa na definição de "fim de semana perfeito". Te desafio a descobrir qual é.


Eu detesto tubarões. Quando eu era criança, na década de oitenta, o filme (baseado em um livro. Aposto que você não sabia disso) fazia muito sucesso. Esse filme causou um desserviço enorme à espécie, principalmente aos tubarões brancos que passaram a ser perseguidos e exterminados por causa de um maldito “saiam da água!”.

Prefiro esse tipo de imagem. E posso comê-las na praia sem ter pesadelos.


Mas o fato é que eu não apenas detesto tubarões, da mesma forma que dondocas têm medo de barata ou cães e gatos não vão com a cara um do outro. Eu tenho fobia de tubarão, especialmente o branco (a criatura mais feia, monstruosa e demoníaca que a mente doentia lovecraftiana conseguiu transformar em realidade). E não, eu não vou colocar nenhuma foto desse bicho maldito aqui no post. Apenas fotos do jogo, cuja simples pesquisa já me causou a ingrata tarefa de ter que olhar pra esse bicho fdp por causa do maldito Google, que insiste em associar fotos do jogo Hungry Shark a tubarões famintos com suas bocas escancaradas e cheias de dedos. Quero dizer, dentes...

Fobias, vai entender... Tem gente que tem medo de gato, e o nome disso é ailurofobia.


Bem, assim como no post do Farcry, gostaria de deixar mais essa dica: quando for levar seu filho à praia, não fique feito um fdp desocupado e zé graça dizendo que tem um tubarão na água que vai pegá-lo. Isso é feio. E queria deixar claro, também, que fobia não é simplesmente ter um medinho de alguma coisa. Eu tenho medo de ser atropelado. Tenho medo de filmes de terror. Tenho medo de ser assaltado. Mas uma pessoa que tem fobia tem uma grave aversão a algum objeto. Não faz sentido, não tem como controlar e deixa a pessoa em pânico. Então, não seja um filho da puta zé graça que fica jogando aranhas em cima daquela sua namorada que diz ter fobia de aranha. O caso é sério e não deve ser tratado com leviandade.
Mas o fato é que a minha fobia com esse animal já foi muito pior. Na infância, o simples fato de ouvir a sonora e impactante palavra t-u-b-a-r-ã-o já fazia meu coração acelerar e os arredores em volta de mim parecerem menores do que realmente eram. Quem sofre de algum tipo de fobia sabe do que estou falando.

Acrofobia pelo menos preserva seu corpo inteiro.


Mas como eu dizia, enquanto crescia fui conseguindo controlar minha condição ao ponto de conseguir assistir filmes como Do fundo do mar (Deep blue, no original) e o próprio clássico da década de oitenta (eu ia pesquisar a data do filme, mas já sabe o que o Google ia mostrar depois que eu digitasse as letras tub...). O fato é que eu não odeio tubarões de verdade. Nunca cheguei nem perto de um na vida real (e nem pretendo). Eu até nutro certa admiração por eles, visto que são criaturas perfeitamente adaptadas, quase sem predadores naturais. Tanto é que o tubarão, assim como o crocodilo, é um daqueles bichos conhecidos como “fósseis vivos”, visto que mudaram tão pouco ao longo do tempo que são praticamente a mesma espécie desde o tempo dos dinossauros (Megalodon, I love you!).

Pra quê simplesmente passar pelos obstáculos, quando se pode passar por eles em grande estilo?


Nos games, consegui jogar o Jaws Unleashed, um game de PS2 que se baseava no filme, só que pela perspectiva de uma enorme boca com várias camadas de dentes, se é que você me entende.
No Farcry 3 o jogador se depara com várias criaturas, e no mar ele não podia faltar. Levei um dos piores sustos da minha vida enquanto jogava esse jogo e o resto é história.

No meu mais novo aparelho de celular, a estrela da vez é o Hungry Shark, um jogo do tipo endless run (pois o tuba não para de nadar, como os de verdade, e você precisa guiá-lo com o sensor de inclinação do aparelho) que te coloca no papel de um faminto (e simpático) tubarãozinho que precisa comer sem parar para evoluir e ganhar nível. O jogo incentiva a exploração, com vários itens para coletar, criaturas que só podem ser devoradas com a aquisição de tubarões maiores e conta com elementos metroidvania, como barris tóxicos bloqueando uma área ou águas profundas demais para um reles galha-branca.

Assim como no Jaws Unleashed, é possível customizar atributos do seu bichão, como força da mordida, velocidade de nado e resistência. A quantidade de customização parece ser boa. E eu digo parece porque ainda não joguei o bastante pra conseguir customizar meu galha-branca de nível 10. É que, procurando por imagens do jogo, eu descobri que é possível fazer as personalizações mais esdrúxulas no seu peixe, como chapéu de mexicano e tatuagens nas nadadeiras (só agora me dei conta de que estes devem ser itens pagos...).

Dança do siri não vai livrar o teu da reta, grandão.


E sobre o Hungry Shark é isto: ele é bem divertido, com a melhor trilha sonora dos três jogos citados no post (um páreo duro, com Plague Inc. levando um merecido segundo lugar e Dead Trigger 2 ocupando uma terceira posição que quase poderia ser uma segunda). Os gráficos são meio cartunescos, e só posso agradecer por essa falta de realismo, mas são muito bonitos e detalhados, deixando manchas vermelhas de vergonha nos mais belos jogos de PSP ou Nintendo 3DS.


COLOCANDO PRA RECARREGAR...

O hardware só tá um "pouquinho" ultrapassado, mas o design continua arrojado


O mercado de games pra celular evoluiu muito desde o meu primeiro celular, um surrado Siemens A70. A qualidade média dos “joguinhos” de celular atingiu um patamar tão absurdo que, constantemente, me faz questionar a razão de ser de portáteis como o PS Vita ou 3DS. Seria no mínimo loucura uma produtora de games fechar os olhos para o potencial e para as perfumarias (exibir meus resultados no Face enquanto jogo? I love it!) que esses softwares apresentam.

Um dos melhores RPGs na ponta dos seus dedos. Pena que o preço não é nada pequeno...


Claro, não só desconhecidos compõem a lista de jogos para celular. Algumas célebres franquias do naipe de Final Fantasy, Crono Trigger e Metal Slug também dão as caras nas lojas virtuais. Mas fico com a certeza que alguém não sabe em qual terreno está pisando quando cobra R$41,00 por um jogo velho e reaproveitado como Final Fantasy 4 diante de um mar de jogos gratuitos tão bons quanto esse. E sobre esse assunto, gostaria de mandar um recado a uma empresa que já foi o “rei dos mares” e agora não passa de uma piaba de 50g: 

Se manca, Square-Enix. Você não está com essa bola toda. Pare de viver do saudosismo dos fãs, desça do seu pedestal imaginário e passe a cobrar preços mais justos pelos seus clássicos. Por mais que você queira subsistir de saudosismo, visto que não consegue mais emplacar um novo sucesso, um clássico não deixa de ser um jogo velho. Você devia cobrar um preço mais acessível para que os fãs conheçam o motivo de você ter sido tão famosa num passado pouco distante.

Pronto. Recado dado e mais um pouco de justiça nerd feita, encerro aqui as minhas considerações sobre essa experiência com jogos de celular, pois tenho uma boca faminta pra alimentar, umas cabeças de zumbi pra estourar e um bacilo pra encaminhar à vida adulta. 

P.S: Quem conhecer bons jogos (de preferência gratuitos) e quiser me indicar eu fico mais que agradecido. Espero que os bons títulos de celular não parem de aparecer e justifiquem a criação do novo marcador do blog.


Au Revoir!